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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

À Espera do Pai Natal

 


quarta-feira, 4 de outubro de 2023

A Vida em Movimento 5

No percurso da nossa vida, temos encontros e desencontros, mais satisfatórios ou confortáveis, quando partilhamos com emoção e damos largas aos sentimentos.




 

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Vidas em Lisboa 3

 

      


        FALSOS AMORES

 

Segredos dos amantes ambulatórios

navegantes nas alcovas alheias

renovam a falsidade dos amores

idolatrados nas noites perfumadas

com o suplício das flores…

meninas carentes de alimento

vagueando ao sabor do vento

com seus harpejos desbotados

oferecem carícias aos bocados.

 

A insensibilidade do amante

encontra-se no amor flutuante…

      muitas vezes sem retorno

que devassa o instinto de quem ama

     um acasalamento morno

     quando se apaga a chama!

 

A falsidade deste império

está no monte de carne trémula

    que se mostra sem critério

e provoca agonia no reparo

    fantasia quente e masturbada

com as debutantes numa lufada

lambendo o néctar mais caro.

 

O sentido destas vidas ocasionais

    sem compromisso das coitadas

oscila entre as sarjetas funcionais

e as carícias frias e mecanizadas…

     atadas às ciladas da vida

amarguradas com o destino infeliz

rendem-se ao bulício da avenida

     até encontrarem outra matriz.

 

(Às voltas nas noites de Lisboa, em 1986)

 

Joaquim Coelho




terça-feira, 25 de abril de 2023

25 de Abril sempre

 


Até que a justiça dos homens seja equitativa e a cultura um bem absorvido por todos os cidadãos, não desisto de acreditar que amanhã será melhor do que hoje.



segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Lembrar o Regresso

 



SOMOS NÒS... Regressados!

 

Embarcámos para longe

além do mar... muito mar

a separar dias de saudade.

 

Embarcámos

sem sabermos como regressar

muito tempo... longe

sem sabermos porque embarcámos

sem vontade de partir...

 

Desembarcámos para lá do mar

com vontade de chegar...

com esperança de regressar.

 

Dias de sol a queimar

muita sede a aguentar

o corpo sofre com amargura

dentro da guerra

longe da terra

a vida é dura...

 

Dias de vida na ausência

nesta ingrata permanência

que nos faz atormentar

dias de fome a maltratar

o corpo sempre altivo

sem reclamar o motivo

porque fomos guerrear.

 

Entre a sombra das mangueiras

o sol acende as fogueiras

nos trilhos com emboscadas

onde morrem os camaradas

sentimos toda a desgraça

da guerra e da mordaça

a abafar os graves gritos

dos que estão mais aflitos.

 

Passam os meses em sofrimento

dias e dias sem esmorecimento

construímos laços de amizade

camaradagem na formalidade

muitas promessas e sonhos

longe dos tormentos medonhos.

 

Mais velhos e resistentes

da Pátria somos os valentes

com o regresso no horizonte

encarando a vida defronte

sem temer novas jornadas…

seremos sempre bons camaradas

na paz e longe da guerra

regressámos à nossa terra!

 

                       Joaquim Coelho



quarta-feira, 13 de julho de 2022

Tempos Inquietantes


 

    SENTIR O TEMPO

 

Este tempo que é nosso

evolve toda a vastidão

da nossa vida confirmada

no tempo já vivido…

neste tempo de inquietação

no mundo em convulsão

perdemos o sentido da vida

e a razão da guarida

na longa caminhada, ilusão,

de todo o tempo infindável

desde o nascimento, imparável,

até descansar nas memórias

de outros tempos recuados.

 

Estamos no tempo sem tempo

para perceber a agitação  

nos viajantes sem destino

que a crueldade das guerras

atira para o sofrimento

da destruição em desatino.

 

Ainda tenho esperança

de outro mundo de paz

com vontade de bonança

garantia de outro tempo

sem a trágica inquietação

tolhendo o sentimento

da mais casta emoção…

 

Antes que o tempo acabe

e esmoreça a luz do sol

espalho as boas energias

com a gratidão do amor

confirmado todos os dias

nos corações mais felizes

porque somos umas crianças

saudosas das nossas raízes.

 

                 Joaquim Coelho








domingo, 21 de março de 2021

Dia de Poesia com Estórias

 


   

              NUNCA VOS ABONDONEI

 

Meus amores

desencontrados nos caminhos da mocidade

mostramos todo o vigor da tenra idade

nas escolas onde formamos as ideias

florescentes no vigor das nossas vidas

nas festas e romarias das aldeias

nos cruzamentos das estradas e avenidas

do meu percurso em sobressaltos

nos paraquedas enfunados, aos saltos;

meus amores de todos os tempos

da longa caminhada desta vida

rumos paralelos ou convergentes

dias cheios de bons momentos

deliciosamente felizes e contentes…

    eu nunca vos abandonei

porque os astros sempre me alumiaram

outros locais por onde vos encontrei

sempre gostosos e delicados

onde perdoamos nossos pecados.

 

Meus filhos diletos

criados com sentida comunhão de afectos

num mundo em transformação acelerada

onde nos soubemos inserir ao natural

cultivando a auto-estima consensual

transpondo fronteiras para o saber

desfrutando da vida com prazer…

    eu nunca vos abandonei

porque sentia a vossa presença

entre a luz do sol e a claridade da lua

brincando dentro de casa ou na rua

mesmo nos dias de bruma teimosa

vivemos os melhores momentos de férias

nas terras longínquas de trás-os-montes

onde o carinho dos vossos avós e primas

se refletia na intensidade dos olhares

e na ternura desmedida da mãe Cila

também nos afagos do pai Macedo

partilhando momentos de gratidão

da natureza humana com emoção;

     nunca vos abandonei…

até na lonjura das viagens decretadas

na contingência do dever profissional

sentia a falta das noites animadas

com o afastamento do amor paternal

e até nos encontros com o progresso

visível nos olhares com emoção

das vossas carinhas mais larocas…

o reencontro em cada regresso

recompensava a generosa satisfação

com toda a pujança do amor liberto

na hora de vos abraçar com ternura

caminhando sempre no rumo certo;

brincávamos com alegria desmedida

no fervilhar da vossa inocência...

mesmo escrevendo ternurentos versos

moldados no desencanto da ausência

senti os vossos sorrisos travessos

   mas nunca vos abandonei.   

 

Meus amigos confirmados

o tempo mostra que sois incondicionais

mesmo os que foram abandonados

pelos poderes duma nação desfigurada

continuam no meu imaginário secreto

   porque nunca vos abandonei…

o meu universo é longe e presente

voando enfunado num lindo sonho

onde o amor anda mais ausente...

no mundo controverso e enfadonho

envolto no bulício das incertezas

mostramos que temos um passado

confirmado entre matas e capinzais

nas agruras das guerras infernais

onde resistimos com valentia e coragem

selada com salutar camaradagem

cujo elixir da sentida amizade

nos fortalece os laços de vida repartidos

nos momentos dolorosos dos feridos

e dos amigos mortos em combate…

     porque nunca vos abandonei

sentimos que a vida tem outro sabor

emoldurada nos pergaminhos com vigor

onde recordamos os tempos passados;

com o avanço do tempo em nossas vidas

que vivemos como presente fervoroso

encontrei colaboradores empenhados

no trabalho profícuo e rigoroso

produzindo riquezas e salários …

comungamos dos mais altivos valores

que nos formaram em seres solidários

mantendo a ousadia que abracei

nos convívios mais prazenteiros

para conforto dos dias derradeiros,

     porque nunca vos abandonei.

 

     Vila Nova de Gaia, 21 de Julho de 2020

 

          Joaquim Coelho














Pedaços de Poesia

 Estados de alma confirmados

































sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Muito Boas Festas aos Amigos deste espaço.


 


 AOS AMIGOS AUSENTES

 

Pensei amarrar o postal

Nas asas duma gaivota

Que percorresse Portugal

Na missão santa e devota.

 

E quis mandar a caravela,

Para dar as Boas festas

Aos amigos que viajam nela

Com lisura e sem arestas.

 

Usando esta nobre invenção

Que melhora cada dia

Transmito-vos com emoção

Votos de paz e alegria.

 

Para cada um a seu jeito

Desejo um Natal gostoso

E para ser mais perfeito

Tenham um ano harmonioso.

 

Joaquim Coelho


sábado, 18 de abril de 2020

Apologia do Romântico

Eram tantos os POEMAS, que já vão cinco livros...

No livro: APOLOGIA DO ROMÂNTICO:


ELOGIO DO ROMÂNCTICO

Demorei a entender o elogio, mas fiquei babado com o lisonjeiro desabafo duma amiga do espaço cibernáutico. Casualmente, essa amiga afastada e de longa data, leu alguns dos textos em forma de poemas que vou deixando nos blogues: “desconhecia esse seu lado romântico! Parabéns.”
Eu, que uso os versos para atirar as pedradas aos políticos mal comportados, que faço severos reparos às injustiças que atingem os bons cidadãos e raramente faço versos com o romantismo dos meus longínquos trinta anos, senti-me embevecido por alguém entender que os meus versos são românticos.
 Será que tenho aqui maior motivação para agarrar as palavras com o condimento do romantismo? Isso seria demasiado fácil se esse romantismo não tivesse que vir de dentro da alma que comanda as emoções e afina os sentimentos.
Já lá vai o tempo em que as esperas com encontro marcado se confundiam com a negação da pontualidade. As horas, os minutos de ansiedade, atestavam a medida do amor que esperávamos encontrar na pessoa da nossa parceira.
Hoje em dia, só os privilegiados no amor podem sentir alguns sinais do romantismo. Os rendilhados amorosos estão no esquecimento, a vida agitada vai destruindo a estabilidade emocional; há muito amor desprendido por falta de momentos de carinho. Esta forma de vida banaliza os encontros sem amor, amachuca os corações, animaliza o sexo e armadilha as relações entre pessoas que se poderiam amar serenamente. Com tantas loucuras, lá se foram os conceitos da conquista e da vida em amor.

Extingue-se o fulgor do desejo
Com o desgaste do amor sem o beijo
Que tenha algum rigor.
Investe-se na esperança morta
Quando já não rompe a luz
Que aquece a razão do amor.
Joaquim Coelho


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