segunda-feira, 2 de abril de 2012

PAGAR A CRISE!

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         O CONTRIBUTO    

Cresci no campo como o trigo
brincando no meio da seara
que a vida encravada no postigo
só nos deixava espaço enfeitado
nos dias de alegre romaria…
mas nascer rico eu preferia.

Entrei na tropa sem convicções
e p’ra guerra fui convocado…
defender os valores da nação
vestido de camuflado,
percorri trilhos e picadas
e vi muitas cabeças cortadas
sem perceber a razão.

Combatente sem grande primor
condecorado e com louvor,
sofrendo tormentos imprevistos
sinto a traição dos assumidos
desertores que tomaram o poder
e desprezam os soldados valentes
a quem deixam a padecer…
mas eu que sou obediente
não faço gestos indecentes
só porque ando descontente.

Apenas o meu grave protesto
contra os sanguessugas da nação
que vão causando a pobreza
dos humildes e sem pão…
contra o perjuro da incerteza
que me causa indignação.

Porque sou bem comportado
e fui militar aprumado
vou pagando os meus impostos
dando assim o contributo
antes que os pobres estejam mortos
e fique todo o país de luto.

São tantos porcos na gamela
fazendo de nós idiotas
que pouco sobra p’ros honestos…
mesmo triste e amargurado
vou pagar a contribuição
conferindo a grave sentença…
só porque amo esta nação
continuo a marcar presença.

Joaquim Coelho




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