sexta-feira, 4 de março de 2011

Poemas dos Tempos Port 44



    PASSEIO EM LISBOA

Passeando na airosa Lisboa
encontrei emigrantes embriagados
percorrendo as ruas à toa,
deitados à sombra da verde tília…
não há empregos disponíveis
para os bons chefes de família.

Vi um polícia que se escondeu
na esperança de passar a multa
o cigano atirou-se e mordeu,
chamou-o de filho-da-puta,
e que era um grande cabrão…
dispararam tiros em renhida luta
até caírem os dois ao chão.

Nesta Lisboa da nova era
a autoridade desmorona-se
e o cidadão fica à espera
que o ladrão seja modesto…
a multidão não se dispersa
enquanto segue o protesto…

há muito sacana a desaguar
nos gabinetes da administração
e as finanças a confiscar
tudo quanto lhes vai à mão.

 Joaquim Coelho




     VIDA EM LISBOA

A guarda toca os tambores
lá p’ros lados de Belém,
hoje é dia dos louvores
para o presidente, também!

Duas prostitutas que casaram
antes de nascer a lua,
engoliram muitos homens
enquanto fizeram vida na rua.

O governo decretou a aliança
dos casais de um só sentido
mesmo adoptando uma criança,
o casamento não é merecido.

Um pombo cagou na cabeça
dum turista ocidental,
mesmo que o não mereça
vai lembra-se desta capital.

Um cão vomitou no jardim
e a dona p’ra merda se cagou,
nem todos fazem assim:
veio o Sócrates e limpou.

Joaquim Coelho
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    DROGA DE MERDA

 O termo da vida é lastimoso
quando abordo as realidades
os sonhos vividos e os frustrados
mundo austero e odioso
onde se caldeiam as maldades
que fazem o mundo mais tortuoso.

A guerra que se espalha
em forma de gás venenoso
espelha a sociedade escumalha
em torno do mundo escabroso.

Tenebroso mundo soturno
dos correios espalhando a dor
em forma de pó alucinante
que tortura sem temor
os devotos da vida degradante.

Não vejo a luz esperada
neste ambiente lastimoso
onde a esperança é atraiçoada
nos olhos de cada pedinte
que da vida perdeu o gozo:
sem rumo nos olhos tristes,
se vives drogado, não existes!

Joaquim Coelho
..
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