quarta-feira, 2 de março de 2011

Poemas dos Tempos Port 43



      CORTAR AS ALGEMAS

Ó corpo, fruto de todos os vícios,
capaz de todas as virtudes…
não te iludas com os cânticos
nas noites vazias e monótonas
que causticam as nobres atitudes,
nem inventes liberdades infinitas.

Há muitos traidores foragidos
ou escondidos nas catacumbas
à espera da hora dos sacrifícios…
se não lutas ficamos perdidos
e acorrentados aos suplícios
do fragor da queda das algemas;
o sangue generosamente derramado
é razão forte para que não temas
nem te deixes entrelaçar
nas tenras raízes da liberdade
que tens de endurecer a labutar.

Os charcos abundam nas cavernas
e os parasitas doutras latitudes
tentam apalpar os pulsos fortes
dispondo as artimanhas modernas
em forma de droga alucinante
a sugar a seiva logo ao amanhecer…
mas a nossa luta será triunfante.

Joaquim Coelho




  
        INCÓMODOS

Não vou ficar calado e quedo
enquanto outros se acomodam
dentro das conchas zarpadas…
será porque estão com medo?

afrontei os poderes ocultos
que nos matam a esperança,
descobri que os negros vultos
tomam feições de criança
vestem-se de muitos matizes
e dão fome aos infelizes.

Não posso ficar calado
só porque alguém escarnece
o alcance das minhas acções
contra a bajulação dos otários,
cada palavra certa aborrece
os que roubam aos operários.

Não vou parar a reclamação
enquanto as crianças inocentes
passarem dias sem refeição…
vejo-o nos olhares comoventes.

Sempre acreditei no futuro
e na felicidade permitida…
mas vejo o caminho duro
para as gentes sem guarida.

Não vou parar por aqui
quando vejo tanta injustiça
a maltratar os cidadãos
que são devorados na liça
da hipócrita bajulação.

Ensinaram-me a acreditar
que a vida deve ser vivida
e ter tempo para amar
com a temperança permitida.

Não vou ficar calado e quedo…
os cobardes não metem medo.

Joaquim Coelho
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      DESLUMBRAMENTO

A vida é uma sequência
de vivências com fulgor…
eu que respiro a vida
e sinto o aroma dos anos
procuro no silêncio dos dias
a cadência do amor.

Como as luzes cintilantes
com iluminações poéticas
no deslumbramento dos amantes
onde se inspiram os sentidos
dispo a exposta candura
num corpo de mulher.

Ficam dois corpos a vibrar
ao som que a música sustenta
na palavra que se inventa
quando a dança começar…

Joaquim Coelho

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